Halem Guerra Nery

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VIDA DE PROTETOR

Halem Guerra Nery
Instituto Ambiental ECOSUL
Florianópolis – Santa Catarina
Analista em Planejamento e Logística e Professor
Contato: halemecosul@gmail.com
Enviado em 20 de maio de 2011.

Minha sensibilidade e respeito com os animais vêm da infância. Meus pais, ele oficial do exército extremamente rigoroso e “prussiano” e ela costureira e dona de casa, respeitavam e exigiam respeito aos animais.

Éramos uma família de seis pessoas, meus pais e quatro filhos, um homem e três mulheres. Todos os quatro são protetores de animais. Socorrem e abrigam animais em dificuldade, curam, castram, doam e ficam com as “sobras”. Dos quatro sobrinhos gerados por minhas irmãs, todos também o são e dois deles casaram com protetores.

Tive a felicidade de casar com a Carmen, também sensível ao extremo para com os animais, e desde que nos unimos em 1972 éramos protetores independentes. O inicio de meu ativismo oficial se deu em 1981, quando fiz parte do grupo que fundou a primeira entidade de defesa dos animais em SC, a Acapra, da qual fui o segundo presidente a partir de 1983, participando da diretoria até 2000.

Juntamente com um reduzido mas obstinado grupo de protetores, entre estes a Carmen, que era Diretora de Operações, planejamos e administramos a entidade de forma a torná-la conhecida, profissional, atuante e conceituada juntos aos demais segmentos da sociedade.

Nossa maior luta no inicio foi a farra do boi e, entre outras ações, fiz parte de um grupo de trabalho criado em 1987 pelo então governador para estudar e elaborar um relatório com propostas para reprimir e prevenir o cruel evento.

Veio a afiliação à WSPA, programas de controle populacional de cães e gatos, campanhas contra abandono, caça, extermínio e maus-tratos de animais, educação nas escolas e muitas conquistas importantes. Outras organizações foram surgindo em Florianópolis e no estado, algumas a partir de ex-membros e tendo a Acapra como referencial.

Estimulei e contribuí pessoalmente para a fundação de entidades em São Joaquim, Brusque, Blumenau, Itapema, Laguna, Bombinhas, Tijucas, entre outras. A Acapra foi um aprendizado para todos, pois inicialmente as dificuldades eram de toda ordem, principalmente programáticas, financeiras e de comunicação.

Em 2000, fui convidado para organizar e coordenar a área de bem-estar animal do recém criado Instituto Ambiental Ecosul de SC e me desliguei da Acapra assumindo a vice-presidência e posteriormente a presidência do Ecosul.

A exemplo da Acapra, estabeleci para o Ecosul o ambientalismo de resultados, mantendo a entidade a princípio como parceira estratégica dos segmentos públicos, privados e não governamentais para, em regime de co-responsabilidade, buscar a melhoria da qualidade de vida para todos os seres viventes com o menor custo ambiental possível. Por acreditar que esta imensa tarefa situada entre as obrigações do Estado, os interesses do mercado e as demandas sociais definitivamente não é para um grupo de obstinados voluntários isoladamente, o Ecosul trabalha em parceria com o MPSC, Prefeituras, Executivos, Legislativos e Secretarias Estaduais e Municipais, Polícias Civil, Militar e Ambiental, CRMV, Anclivepa, Universidades e outras organizações não governamentais.

Não temos a intenção transformar Poder Público em ONG. (Deus nos livre!)

Mas é preciso conceito, profissionalismo, competência, talento e perseverança para convencer as diversas instâncias governamentais de suas responsabilidades no processo e estabelecer parcerias estratégicas que ampliem e agilizem os resultados, em “escala industrial”, da mesma forma como os problemas se apresentam.

As dificuldades e frustrações são basicamente as mesmas de todos os ativistas. A necessidade de ter que optar pela causa em detrimento de projetos pessoais, escassez de tempo e recursos, a incompreensão de uma parcela da sociedade, a inoperância do poder público, e as que mais desconfortam e prejudicam, a carência de profissionalismo e comprometimento e a discórdia e desagregação no movimento.

O movimento de defesa dos animais é uma representação transversal da sociedade, se constituindo num segmento legal de impulsão à políticas públicas, não só relacionadas com o bem-estar animal, quanto com o meio ambiente, saúde pública, segurança e educação. As manifestações de seus membros revelam todos os dramas e conflitos de interesses internos, cuja trajetória precisa ser revertida e para o que sempre me empenhei.

A partir do entendimento de que o planeta não tem problemas com animais, só com as pessoas, me dedico a tentar mudar aquela parcela da fauna que dá problema, o ser humano.

Apesar dos percalços, o êxito e a qualidade do nosso trabalho, excluídos os mal intencionados que tentam desviar sua finalidade, tornaram o movimento uma força planetária que só os ignorantes ou mal intencionados se atrevem a menosprezar.  Se sua força e importância econômica pudessem ser aferidas ou fossem consideradas uma economia em separado, certamente ocupariam uma posição de destaque no ranking global, se igualando ou superando o PIB de alguns países.

Todas as atividades que desenvolvemos têm um custo e alguns pagam e outros lucram com elas. Aos animais retirados das ruas e/ou assistidos por ativistas, por exemplo, quando sob suas tutelas ou colocados junto a uma família responsável, é agregado valor e se inserem no mercado, passando a consumir produtos industrializados e freqüentar clínicas veterinárias e pet shops.

É visível a mudança conceitual do mercado para com o trabalho das ONGs. profissionalizadas, passando a considerá-las parceiras estratégicas na conquista e consolidação de seus mercados consumidores, através da socialização de seus lucros pela via da penetração e do conceito que estas organizações gozam junto à sociedade.

Prova disto foi a resposta do mercado às mobilizações em socorro aos animais nas tragédias do Vale do Itajaí/SC em 2008 e na região serrana do RJ em 2011, quando somente empresas do ramo de alimentos e medicamentos veterinários doaram toneladas de produtos para minimizar o impacto da catástrofe na vida dos bichos. Em SC, uma empresa de alimentos e outra de medicamentos doaram à RESA – Rede Catarinense de Solidariedade aos Animais, coordenada pelo Ecosul, 65 toneladas de ração e milhares de vacinas e outros medicamentos respectivamente, entre outras empresas e colaboradores individuais.

Uma das maiores emoções fica por conta do quanto este imenso exército sempre crescente de heróicos voluntários de todas as formações conseguiu com seu trabalho em defesa da vida, sensibilizar e mobilizar os demais segmentos.

Promovemos uma verdadeira revolução de costumes, modificando práticas cruéis e ilegais de exploração dos animais e substituindo métodos criminosos e ineficazes de extermínio massivo de cães e gatos em nome da saúde pública e da superpopulação, por programas de assistência veterinária, esterilização e educação, humanizando CCZs, mudando a cultura e conscientizando a sociedade para o respeito e a responsabilidade com os animais em geral, sejam de companhia, de produção, de trabalho, silvestres ou exóticos.

Recompensa e orgulha sobremaneira, o universo de animais beneficiados por nossas ações e a gratidão destes à sua maneira, sempre fiéis, leais e companheiros, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe.

Minha meta aos 64 anos e 30 de ativismo institucional é voluntariar até os 100 anos e depois ir curtir uma justa e merecida aposentadoria.

Resumo do Histórico Sócio Ambiental em SC:

  • Membro fundador em 1981 da Acapra-Assoc. Catarinense de Proteção aos Animais e seu dirigente até 2000;
  • Membro fundador da FEEC-Federação de Entidades Ecológicas Catarinenses em 1987;
  • Coordenador administrativo do MEL-Movimento Ecológico Livre entre 1989/1990;
  • Presidente da ACG- Assoc. Catarinense de Cães Guias de Cegos em 1998/1999;
  • Membro do Comitê Ético para Uso de animais na UFSC em 1996;
  • Secretário do Comitê de Gerenciamento da Bacia da Lagoa da Conceição em 2000;
  • Membro do Fórum Municipal de Controle de Zoonoses e Bem Estar Animal de Florianópolis;
  • Membro do grupo de trabalho que elaborou o programa de Saneamento e Meio Ambiente do governo do estado de SC (1994/1998);
  • Membro do grupo de trabalho que elaborou a proposta de Educação Ambiental do  governo do estado de SC (2002/2006);
  • Membro em SC do Comitê Executivo da 2ª Conferência Nacional Infanto-juvenil de Meio Ambiente de 2005;
  • Um dos responsáveis pelo projeto e criação da Coordenadoria Municipal de Bem Estar Animal de Florianópolis;
  • Membro do Núcleo Distrital do Rio Vermelho no Plano Diretor Participativo de Florianópolis.

 

Anúncios