Teresinha Mohr Winter

SALVEI UM ANIMAL

São Sebastião do Caí, RS – Brasil
Relato: 02 de janeiro de 2006

“Tenho, atualmente, seis cachorros, todos “achados”, e dezesseis gatos, também “achados”, com exceção de uma gata siamesa, pela qual paguei R$ 20,00, num pet onde entrei pra comprar ração. Ela ficou me cuidando enquanto eu andava pela loja, fazendo a volta em toda a gaiola, olhando pra mim e “gritando” (miado era pouco). Não resisti, embora seja contra comprar animais. Eu já tinha tantos! Mas a levei. Quanto aos cachorros, a última cachorra que eu encontrei, a Fofa, foi quando uns meninos passavam de bicicleta em frente à minha casa, arrastando-a por uma cordinha. Eu perguntei a eles o que iam fazer com ela. Eles me disseram que o dono havia pago R$ 5,00 (o preço de uma vida!) pra que eles dessem um “sumiço” nela. Iam largá-la na estrada, depois de uma ponte que tem perto da minha casa. Eu não agüentei. Ela olhava com o olhar mais perdido do mundo, apavorada, encolhida como se quisesse entrar chão a dentro. Tirei-a deles e levei pra casa. Ela ficou dois dias sentada no meu portão, pelo lado de dentro, com medo até de se levantar dali. Levei água e comida, coloquei uma caixa ali mesmo pra que ela não passasse frio. Estava com infecção respiratória, por isso o dono quis se desfazer dela. O veterinário até achou que poderia ser cinomose, por causa do corrimento nasal. Fiquei apavorada, mas deixei-a ali. Eu arrisquei, porque não poderia jamais largá-la na rua novamente. Fiz todo o tratamento e ela ficou boa em dez dias, mas, já no terceiro dia, começou a andar pelo pátio. Resumindo: logo, logo se achou dona da casa. Aumentou de tamanho, coisa mais impressionante, porque não se encolhia mais de medo. É muito linda, mestiça de “collie”. Doei-a a um amigo meu, que mora num sítio, lugar pra lá de bom, juntamente com a Pepê e a Pequena, duas outras cachorras que eu já tinha há algum tempo. Estão superbem. Por isso, estou “só” com seis cachorros. Mas tem um cachorro branco, grande, que apareceu na casa da minha vizinha, e que fica um pouco lá e um pouco em frente da minha casa. Dou ração pra ele e ele até já entra no meu pátio, quando abro o portão. Não adianta, parece que a gente “chama” os bichos. Ninguém os nota, mas a gente os vê por todos os lados. A gente é que vê os atropelados, os abandonados, os maltratados pelos donos, etc. Ninguém se mexe. Se a gente não se mexer …”

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