Rosana Mercadante

SALVEI UM ANIMAL

Dra. Rosana Mercadante
Abrigo Piccolina
Avaré- SP

http://www.abrigopiccolina.org.br
Relato: 05 de junho de 2011

Sempre defendi que um protetor responsável é aquele que respeita suas próprias limitações. Por mais que seja difícil, TEMOS que admitir que não salvaremos TODOS  os animaizinhos necessitados que cruzarão nossos caminhos.

Resgataremos alguns, daremos apenas alguma assistência emergencial para outros e, infelizmente, nada ou muito pouco poderemos fazer por outros, além de sermos solidários em seu sofrimento.

Durante uma viagem de férias, passeando de barco pelo litoral de Angra dos Reis, ancoramos numa praia da Ilha Grande. No local praticamente não existem moradores, apenas turistas que chegam em diferentes tipos de embarcações, e ao final da tarde vão embora, deixando o local praticamente deserto.

Enquanto caminhávamos pelas areias da praia, vimos uma cachorrinha muito suja e debilitada, que se abrigava nos entulhos de um prédio em ruínas.

As mamas aumentadas indicavam um parto recente, apesar de não existirem filhotes no local.

A reação dela a cada embarcação que aportava, se aproximando das pessoas numa provável procura do dono que a abandonou… era de partir o coração.

Preferi pensar que talvez ela morasse por ali, ou que logo seu dono voltaria para buscá-la.

Tentei resistir, e ponderei: não estava em minha área geográfica de atuação e não tinha minha estrutura habitual para proporcionar a assistência que ela necessitava. Resolvi oferecer-lhe algum alimento e água, e torci para ser suficiente, no momento.

Mas ela não quis. Recusou o alimento e nos dedicou o olhar mais desesperançoso que uma criatura pode exibir.

Percebemos que ela estava muito febril e suas mamas estavam quentes e endurecidas.

Novamente ponderei: não tenho aonde abrigá-la… não tenho medicamentos… não conheço nenhum veterinário nessa região… e hoje é domingo!

Mas não adiantou. Desta vez o coração falou mais alto. Pegamos uma toalha para enrolá-la e a carregamos conosco.

A partir daí, a história segue como tantas outras: uma boa dose de empenho, um pouco de sorte… e a providencia divina fez o resto.

Nós a chamamos de Bibi e a trouxemos para São Paulo aonde consolidamos sua recuperação. Ela ficou linda, e exibia a cada minuto toda sua doçura e gratidão.

Dentre tantos resgates que fizemos, esse caso foi sem dúvida muito peculiar: uma cachorrinha doente, abandonada numa ilha deserta em meio ao oceano, sem alimento nem água potável… sua sina parecia mortalmente definida.

Mas quis o acaso que fossemos instrumentos da mudança do seu destino: hoje ela vive como uma princesa, feliz e muito amada no novo e maravilhoso lar que encontramos para ela.

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