David Teixeira Lima

SALVEI UM ANIMAL

Rio de Janeiro / RJ – Brasil
Relato: 09 de janeiro de 2011

Na terceira semana de dezembro, eu estava chegando em casa, quando ouvi um miado de gato bem forte. Me virei para o lado e avistei uma gatinha filhote que até o momento não sabia se era macho ou fêmea. Chamei ela com aquele som tradicional para gato e ela me olhou, parecia muito assustada e com certeza faminta. A gatinha só tinha cabeça e estava magrinha. Ela ficou me olhando, mas não se aproximou. Acho que deve ter sofrido ou foi abandonada de forma violenta. Deste dia em diante só ouvia os comentários dos vizinhos que tinha uma gata miando muito na rua. E pensei, com certeza ela quer sobreviver, está pedindo socorro. Então comecei a alimentá-la. E ela ficava de longe e após alguns minutos se aproxima para comer.

Os dias foram passando e a gata que ficava na garagem da vizinha no primeiro andar do prédio, começava a ficar mais esperta e então percebi que ela não ficaria ali por muito tempo, até porque a dona não gostava de gato e também tinha rinite alérgica. A gata já estava passeando pela rua, ficava nas rodas dos carros e debaixo deles, e continuava miando muito, principalmente quando alguém a chamava. Ela já estava menos arisca. Muitas pessoas a chamavam, faziam carinho, mas ninguém pegava a bichinha. Assim se passou uma semana e sempre que chegava na rua e a chamava ela aparecia e miava muito. Eu pensei: ela ainda está pedindo socorro.

Sem hesitar peguei a gata que resistiu um pouco e a levei para meu apartamento. Ela parecia que estava sendo torturada, miava muito e ficava pulando na porta. Eu não tive outra escolha se não deixá-la na rua. Achei naquele momento que a gata já estava acostumada na rua e não iria se adaptar em apartamento.

Voltando do trabalho durante alguns dias eu a avistava e ficava muito preocupado com esta gatinha. Com a sua saúde, com o seu conforto e com a sua segurança. Resolvi fazer nova tentativa. E nesse dia ela dormiu lá em casa. Fiz bastante carinho nela e dei bastante comida. Para minha surpresa minha esposa não gostou nada da gata e disse que não a queria no apartamento. Pela manhã a gata novamente começou a miar na porta, como se quisesse sair. Minha esposa reclamou mais ainda e novamente a deixei na rua quando fui trabalhar. A gata me olhou e foi embora. A partir daquele dia eu tinha certeza que eu tinha que adotar aquela gata, um sentimento muito forte me consumiu e eu fiquei muito triste a ponto de chorar. Não consegui trabalhar direito. Estava com uma dor muito grande no peito e só pensava na gatinha que tinha sido abandonada pela terceira vez.

Durante o trabalho liguei para minha esposa em casa e pedi para ela verificar como estava a gata e também alimentá-la. Ela percebeu que eu estava triste e perguntou se era pela gata. Logo respondi que sim, mas que iria passar. Na verdade eu sabia que se não fizesse algo não iria passar. Seria como uma oportunidade perdida, que não volta. Desliguei o telefone e tentei trabalhar, mas já pensando em ver a gatinha quando saísse do trabalho. Para minha surpresa quando cheguei em frente a garagem, tinha um bilhete da minha esposa dizendo que a gata estava lá em casa. Corri para o apartamento e quando cheguei lá a gatinha ficou me olhando. Fiquei muito emocionado e agradecido pela atitude da minha esposa. Então sem pensar muito botei comida pra ela, fiz um carinho e sai rapidamente para comprar ração, remédio para verme, areia e uns brinquedos. Quando voltei, ela começou a comer ração, a brincar com os brinquedos e a usar a areia.

Percebi que ela havia gostado dos mimos, mas ainda estava muito arisca. Então os dias foram passando e eu e minha esposa dando muito amor e carinho para Mimi. Ela recebeu este nome porque miava muito. Mesmo assim ainda minha esposa estava com a idéia de encontrar um outro dono para ela. Eu no primeiro momento aceitei e até tentei encontrar um dono.

Hoje, depois de quase dois meses, a Mimi é a alegria da casa, nos segue por toda a casa e vive pedindo carinho. Eu e minha esposa já conversamos e decidimos ficar com ela. Já fiz alguns testes com ela levando-a  para rua. Eu soltei ela, que foi até o meio da rua e quando chamei ela de volta, ela veio correndo pra mim. Hoje eu abro a porta e nem é com ela. A gatinha, hoje Mimi, se adaptou conosco e com a nossa casa. E nos seus olhos eu vejo a felicidade e muita gratidão. Sem explicação também me sinto feliz. Hoje eu, Lucia e Mimi vivemos felizes para sempre e ainda me emociono.