Crianças e bichos deixados dentro de carros

Dentro do carro, crianças podem se machucar com os vidros elétricos.

No Brasil, o maior vilão para crianças trancadas no carro é o calor. Bebês transpiram muito mais do que adultos. Com isso sentem mais rapidamente os efeitos de ficarem em um ambiente muito quente.

– A criança pode sofrer desidratação ou insolação. Se ficar muito tempo trancada, pode ter danos no cérebro e até morrer – afirma o médico Sabbag.

Segundo ele, a partir dos 40 graus Celsius, a saúde da criança já pode ser prejudicada. Para a temperatura dentro de um carro ultrapassar este valor não é preciso muito.

Temperatura no interior do carro sobe rapidamente

Estudos do Centro de Segurança da General Motors nos EUA mostram que, num dia com temperatura de 27 graus, o interior de um carro estacionado ao sol pode atingir 49 graus em apenas trinta minutos, chegando a 60 graus em duas horas. Dados do departamento de saúde da Carolina do Norte revelam que basta uma criança ficar quinze minutos num lugar a mais de 50 graus para sofrer danos irreversíveis ou até morrer.

Janelas totalmente fechadas aumentam o “efeito estufa” no interior do veículo. Deixar uma fresta aberta não ajuda muito. A entrada de ar corrente reduz a temperatura ambiente, porém, pode não ser o suficiente para evitar problemas de saúde.

Morte por frio extremo é rara no Brasil. Mesmo assim, as crianças também podem sofrer com temperaturas baixas no carro. Se ficar muito tempo em um lugar frio, o pequeno passageiro pode ter problemas respiratórios e até mesmo circulatórios, afetando principalmente as pontas dos dedos.

Se o carro estiver parado numa garagem fechada há outro perigo: o monóxido de carbono expelido pelos outros veículos.

– O gás é altamente tóxico e se acumula facilmente em lugares onde é comum o trânsito de automóveis em marcha lenta – explica o engenheiro Luso Ventura, diretor do Comitê de Comissões Técnicas da Sociedade de Engenharia Automotiva (SAE Brasil).

Respirado em grande volume, o monóxido de carbono mata por asfixia. Mas antes disso pode causar mal-estar, irritações e vômito.

Sozinho no carro, sem alguém para acudir, o simples fato de regurgitar ou engasgar com o choro pode asfixiar um bebê.

Crianças maiores soltas dentro do veículo podem se machucar, por exemplo, pulando nos bancos. Deixar a chave no contato para manter o ar-condicionado ligado é bom para deixar o filho num ambiente mais agradável, só que pode ser um convite para o carona mirim decidir brincar de dirigir e causar acidentes.

O maior perigo, porém, são os vidros elétricos. Brincando com os botões de controle das janelas ou mesmo sem querer, a criança pode prender a mão, braços ou até o pescoço.

– Há ainda o fator psicológico. Crianças podem sofrer traumas por causa do abandono – diz Sabbag.

Um pequeno passageiro sozinho no veículo também fica indefeso contra ladrões e seqüestradores.

Entre quarta e sexta-feira passadas, 976 internautas responderam a uma pesquisa do Globo Online sobre o que deveria acontecer com a mulher que deixou o bebê trancado no carro enquanto ia ao shopping. Dos participantes, 59,84% disseram que ela devia ser punida por abandono de incapaz – algo previsto por lei. Já 33,91% acharam que o melhor seria que a mãe fosse orientada por profissionais. O restante, 6,25%, votou que se trata de um relacionamento entre mãe e filho e a Justiça não deveria interferir.

Para os médicos, o mais importante é os adultos se lembrarem que carro, assim como outros lugares, não é lugar para criança ficar sozinha – nem por pouco tempo.

Bicho também não gosta

É comum se comparar bichos de estimação com crianças e, assim como elas, os animais não devem ser deixados trancafiados dentro de automóveis. Da mesma forma, o excesso de calor é o maior perigo para as mascotes.

– Há muitos casos de pessoas que vão para a praia e deixam o bicho dentro do carro. Quando voltam, ele está morto. Também é comum animais ficarem presos em veículos nos estacionamentos dos shoppings – conta Izabel Cristina Nascimento, presidente da Sociedade União Protetora dos Animais (Suipa).

Sem glândulas sudoríparas, animais como cachorros e gatos são mais sensíveis às temperaturas altas do que os humanos. Eles suam pela língua e, por isso, quando estão com muito calor, ficam salivando.

Ainda mais grave é que alguns motoristas andam com os bichos no porta-malas, onde, dependendo do tipo do carro, a ventilação é muito deficiente.

Animais deixados trancados em carros em garagens também podem sofrer problemas respiratórios, e até asfixia, provocada por monóxido de carbono. Sem falar no estresse e no perigo de o bicho se machucar ficando sozinho no interior de um veículo.

> Perigos dentro do carro

CALOR: É a maior ameaça para as crianças deixadas dentro de carros. Elas podem se desidratar, sofrer insolação e até morrer, se ficarem longos períodos em ambientes com temperaturas muito altas.

FRIO: No Brasil, como o inverno não é rigoroso, é raro haver morte por temperaturas baixas, mas os pequenos passageiros podem apresentar problemas respiratórios e de circulação.

GARAGEM: Pode parecer um lugar seguro, mas o acúmulo de monóxido de carbono vindo de outros veículos pode intoxicar ou asfixiar as crianças deixadas dentro dos carros.

INDEFESO: Bebês podem se asfixiar com o vômito ou a regurgitação. Crianças maiores correm risco de se machucarem ao brincar dentro do veículo. Já houve casos de entrangulamentos provocados pelos vidros elétricos.

ESTRANHOS: Crianças sozinhas são alvos fáceis para bandidos e seqüestradores.

TRAUMA: Pequenos passageiros podem ficar traumatizados por serem abandonadas dentro de automóveis por muito tempo.

Fonte: Animais SOS [animaissos@terra.com.br] – 06/07/2005

 

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