Galinha

Faço pra ti estes versos
Ciscados no quintal
Do meu sentimento
Desde criança…

Chamam-te de burra, de imbecil,
Dizem que tens o cérebro
Curto e nasceste mesmo
Pra ser devorada.

Porém, quem como tu pode,
Em apenas um dia,
Construir um ovo?
Poucos!

Que poder de engenharia,
E ao mesmo tempo de arquitetura
Magnífica,
Concedeu-te o Criador!

E quem como tu
Acolhe, com tamanho carinho
E calor os filhos?
Poucos!

É absolutamente fantástico
O que fazes. Pensa bem…
E nem rejeitas
Filho algum de outra!

Já quando te colocas,
Linda, sobre tantos ovos
Mostras
A tua verdadeira majestade.

E quem tem no universo
Os filhos
tão violentamente arrebatados?
Poucos!

E destruídos como se fora
A coisa mais natural?
E mesmo assim a sua
Majestade não se vai…

Es chutada, agredida o tempo todo,
E sua majestade não se vai!
No outro dia estarás lá
Exercendo o teu ofício.

Ovo após ovo.
Que coisa magnífica,
Pensa bem mais uma vez,
A construção de um ovo!

Tu, dócil criatura, por seres
Diferente, parece condenada
A não ter jamais
Direito algum à vida.

Mesmo com toda a paz
Que conferes à natureza,
Estás condenada
Como estão poucos!

Deveriam, isto sim,
Tratarem-te e te cuidarem
Com a afeição toda.
Suave e mansa ave.

No entanto, a crueldade
Contra ti obriga sempre
Um grito forte :
Qualquer crueldade é criminosa!

Autor: Paulo Drumond (01/06/2005)

 

Anúncios