Guia para escrever cartas de protesto

Algumas vezes, as palavras são realmente mais fortes do que a espada e nós não precisamos ser um Saramago. Escrever cartas para os jornais, empresas e legisladores é uma maneira fácil e eficaz de ajudar os animais. Eis como fazer isso …

Cartas ao Editor

Quando escrevemos cartas aos editores de jornais, em vez de estarmos atingindo uma única pessoa, estaremos atingindo milhares ! E isso é algo mais fácil do que se pensa.

* Leia jornais locais e revistas e guarde os artigos que mencionam os animais. Alguns exemplos: anúncios de rodeios, circos e lojas de peles, artigos sobre experimentos médicos, reportagens sobre grupos humanitários e de proteção aos animais.

*As cartas não têm que ser respostas à alguma reportagem. Basta um circo chegar na cidade, ou perceber que há muitos animais abandonados em alguns lugares para escrever algo. Ou então use o calendário como inspiração: na épocas festivas, informe os leitores o porquê eles não devem comprar animais de lojas. Lembre-os dos bebês que são tirados de suas mães em canis, gatis e criações de fazenda.

*Escreva tanto sobre as boas notícias como as más. Agradeça à publicação pela sua cobertura de um protesto anti-peles ou por divulgar animais para adoção.

*Seja breve ! Às vezes um parágrafo curto e conciso é o bastante – tente se limitar à menos de 300 palavras (uma página escrita). Editores tendem a não publicar cartas compridas ou então deixam apenas pedaços sem sentido.

*Digite, se possível. Ou então, escreva em letra de forma. Verifique a ortografia e gramática. Lembre-se de revisar.

*Não esqueça de incluir seu nome, endereço e telefone na sua carta. Alguns jornais verificam a autoria antes de publicar cartas.

*Se achar pertinente, faça uso de trechos de artigos de defesa animal como os do PETA. Esses materiais geralmente são liberados para cópia.

*Procure oportunidades de escrever artigos para as publicações locais. Esses artigos vão de 500 a 800 palavras que resumem um assunto, desenvolvem um argumento e propõem uma solução. Envie o artigo para o editor. O programa americano “Today show” relatou que a reportagem que recebeu mais cartas revoltadas foi sobre como matar lagostas.

* Nós também podemos escrever (ou ligar) para emissoras de rádio e televisão para protestar contra o incentivo aos maus tratos aos animais ou para cumprimentá-los por um programa bem feito sobre eles.

Algumas dicas de estilo:

*Para aumentarmos nossa credibilidade podemos mencionar algo que dê a impressão de estarmos qualificados para escrever sobre o assunto. Por exemplo: “Como nutricionista, eu sei que a dieta vegetariana é saudável”, ou “como mãe”, ou “como ex-usuária de roupas de pele”, ou “como sobrevivente de tal situação”, etc.

*Tente passar para os leitores algo que eles provavelmente ainda não sabem – tais como as condições a que as galinhas são submetidas para a produção de ovos, as condições nos abrigos, etc – e encoraje as pessoas a tomarem uma decisão (tais como parar de comprar ovos, visitar um abrigo, etc). Quando for apropriado, diga algo que os leitores possam fazer.

*Exclua as desavenças pessoais e ofensas nas cartas; elas prejudicam sua credibilidade.

*Não repita os argumentos anti-animais. Fale sempre na afirmativa.

MAU EXEMPLO
“Não é verdade que a câmara de descompressão é uma forma humana de eutanásia sem sofrimento.”
MELHOR DIZER
“A câmara de descompressão sufoca os animais, que ficam agonizando durante até 20 minutos.”

***Evite expressões de julgamento ríspido e exageros***.
Os leitores tenderão a descartar as argumentações se eles sentirem que estão lendo um sermão ou se o autor parece histérico.

MAU EXEMPLO
“Só pode ser um sádico sem coração para continuar indiferente ao sofrimento dos animais quando qualquer idiota sabe que suas vidas são uma agonia causada pelo capricho momentâneo de algumas pessoas que sequer têm consideração.”
MELHOR DIZER
“Muitas pessoas têm compaixão e se visitassem um abrigo teriam vontade de fazer alguma coisa para diminuir o sofrimento dos animais.”

***Não parta do pressuposto de que o leitor sabe dos problemas.***

MAU EXEMPLO
“Protestemos contra a crueldade dos rodeios.”
MELHOR DIZER
“O sedém aperta os testículos dos animais, que tentam se livrar dele se debatendo. Bezerros são laçados e forçados à uma parada brusca equivalente a um acidente de automóvel à 40Km/h – várias costelas são quebradas.”

***Usar linguagem inclusiva (falar na primeira pessoa do plural) ajuda o leitor a se identificar com quem escreve.***

MAU EXEMPLO
“Comer produtos animais faz mal para a sua saúde.”
MELHOR DIZER
“Nós sabemos que o consumo de produtos animais prejudica a nossa saúde.”

***Use sugestões positivas em vez de comandos negativos.***

MAU EXEMPLO
“Não vá ao circo.”
MELHOR DIZER
“Vamos levar nossas crianças aos circos que não exploram animais.”

***Personalize sua escrita contando um caso ou usando imagens.***

MAU EXEMPLO
“As armadilhas para raposas podem cortar o animal pela cabeça, pernas e estômago.”
MELHOR DIZER
“Vocês já viram um filhote de raposa com sua cabeça presa em uma armadilha dentada ? Eu já vi, e é por isso que eu sei que as armadilhas podem mutilar os animais na cabeça, pernas e estômago.”

***Evite linguagem que discrimine os animais. Em vez de se referir ao animal como uma coisa, use “ele” ou “ela”.***

***Evite eufemismos (“reforço negativo”, “diminuir a população de animais”); diga o que realmente acontece (“punições com choques elétricos atrozes”, “matar os animais”).***

Cartas a Empresas

Use seu papel de consumidor para protestar contra empresas que exploram animais. Diga aos fabricantes de cosméticos que você vai comprar outras marcas até que eles parem de testar em animais, ou diga à loja que você vai boicotá-la até que eles parem de exibir animais – e explique o porquê. Se uma empresa oferece peles como prêmio ou brinde, explique que você é contra o uso de peles e peça ao patrocinador para oferecer um prêmio que não envolva crueldade com animais, tais como jóias ou passagens aéreas.

Cartas aos Legisladores

Ao mesmo tempo que todos nós somos bons em reclamar do governo com os amigos, poucos cidadãos expressam suas opiniões àqueles que podem fazer alguma coisa sobre isso: os legisladores. A opinião dos eleitores realmente faz uma diferença.
O governador da Virginia vetou uma lei que premiava caçadores de coiotes porque recebeu muitas cartas de protesto.

De acordo com um ex-deputado democrata da Georgia, Billy Evan, “legisladores estimam que 10 cartas de eleitores representam preocupações de 10 mil cidadãos. Qualquer um que tome tempo para escrever está divulgando os desejos e temores de milhares outros.” Se isso não é o bastante para convencê-lo, pergunte a si mesmo: se você não se comunica com aqueles que o representam, quem irá se comunicar ? Enquanto você reclama com seus amigos de como os experimentos com animais são hediondos, alguém que discorda de você estará escrevendo para os legisladores. Você sozinho provavelmente não vai convencer os legisladores a banir o comércio de peles. Mas muitos legisladores têm uma opinião favorável e só precisam ser convencidos de que há apoio público suficiente antes de arriscar seus pescoços. O Advocacy Institute (Instituto de Advocacia norte-americano) explica: “Quando os votos são mudados ou firmados a favor, é muito provável que tenha sido devido à atuação dos eleitores – os ativistas.”

Eis como fazer com que sua voz seja ouvida:

*Descubra quem são os seus representantes federais, estaduais e municipais. Para obter os nomes e endereços dos deputados estaduais e vereadores, procure a página do governo de seu estado. Identifique-se como um cidadão consciente de um problema, NÃO como membro de uma organização; legisladores querem opiniões de seus eleitores e não de grupos de pressão (grupos de lobby).

*Escreva cartas breves – não mais que uma página. Se estiver escrevendo sobre uma lei específica, mencione o nome e número da lei, se souber, e informe que você apóia ou se opõe logo no primeiro parágrafo. Diga as razões e dados de apoio em até dois parágrafos seguintes. Conclua com um pedido de resposta.

* Mantenha o foco em um tópico específico. Não peça ao legislador para “votar a favor dos animais”; bem poucos legisladores votam a favor de todas as leis de proteção aos animais porque questões diferentes estão envolvidas em cada caso.

*Seja educado e conciso. Não escreva ofensas e nem ameaças. Mantenha o foco no que for relevante para a lei ou o problema abordado.

*Lembre-se: cada carta relativa a um item de legislação é contada ou como “sim” ou como um “não”. Não se sinta tentado à erudição. Basta escrever e enviar. Umas 10 cartas sobre um determinado assunto já podem mudar o voto de um legislador. Várias horas escrevendo cartas por mês podem causar um grande impacto. E não se sinta desencorajado se receber respostas desfavoráveis; quanto mais nos comunicarmos com os nossos representantes, mais cedo eles mudarão suas posições.

* Lembre-se … neste exato momento, animais estão sofrendo. Agora mesmo, animais estão sendo maltratados nos circos. Hoje mesmo, milhões de cães, gatos, vacas, ovelhas, porcos, chimpanzés, coelhos, camundongos e outros animais estão sendo torturados em laboratórios.

ESCREVA JÁ !

Fonte: Esta página é uma adaptação do guia da PETA – People for the Ethical Treatment of Animals, traduzido por Fernando Mendes.

 

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